Testemunhas de Cristo perante o poder das trevas

Publicado em 22/01/2015 às 12:08 Por Pr. Adão Silva Visto por 699

Texto: At.4:1-22

Introdução

A história da igreja de Cristo é mesclada de altos e baixos; nela contemplamos momentos fervorosos, bem como momentos de depressão espiritual. Ao olharmos para um dos momentos de depressão espiritual, mais especificamente no século XVII, por volta de 1662, ficamos sabendo que a igreja na Inglaterra chegou a tamanho declínio espiritual, que de uma só vez, “dois mil ministros puritanos foram enxotados” de seus púlpitos (O zelo evangelístico de George Whitefield, p15). Todos eles foram expressamente proibidos de pregar em suas igrejas.

Em meio a esse declínio espiritual, vários Atos foram aprovados, cujas proibições, foram desde proibir reuniões nas casas, até ao absurdo de proibir os ministros de se aproximarem de suas antigas igrejas.

Vinte e seis anos depois, ou seja, em 1689, quando essa perseguição foi retirada pelo Ato de tolerância, a maioria daqueles dois mil homens já havia morrido, e seus corpos enterrados em um cemitério separado, fora dos limites da cidade de Londres.

Ao mesmo tempo, em muitos púlpitos da igreja da época, a pregação estava sendo corrompida por um palavreado desconhecido das Escrituras. Salvação pela graça, pecado, inferno, evangelização e outros temas, haviam sido negligenciado.  O caos estava instalado e o poder das trevas reinando.

Você pode estar se perguntando: o que tudo isso tem a ver com o texto? Pois bem, o contexto no qual está inserida a passagem, não é muito diferente do contexto do século XVII. A depressão espiritual era grande; a perseguição a Cristo o levou a morte, e os seus discípulos igualmente foram alvo de tudo isso.

O contexto imediato envolve a cura de um coxo de nascença (3:1-10), seguido de uma poderosa pregação feita por Pedro, a qual elevou o número de conversos a quase cinco mil (4:4). A essa altura do campeonato, entra em cena os religiosos (4:1) saturados das verdades divinas (4:2), com o intuito de calar os dois apóstolos (4:18).

Mas Pedro guiado e movido pelo Poder do Espírito Santo, se posicionou (4:8,19) como testemunha de Cristo perante o poder das trevas. E a partir do seu exemplo, podemos aprender como ser uma “testemunha de Cristo perante as trevas”. Vejamos do que precisamos para segui-lo!

I. Precisamos Comprometer-nos com o Mestre v.8-12

A. Observem primeiramente que os opositores de Cristo e seus discípulos eram muitos, inclusive, incomodados com o ocorrido no templo (4:7b). A pergunta traz consigo o temor de perder espaço, dado os últimos ocorridos, visto que, conforme registrou Lucas, “vendo com eles o homem que fora curado, nada tinham que dizer em contrário” (v.14). Certamente eles temiam perder espaço, pois nada poderia contradizer o ocorrido.

B. Diante de tal perturbação na mente daqueles religiosos, Pedro se posicionou (v.8). Porém, não para competir com a casta sacerdotal, mas estabelecer o fundamento da cura do coxo (10). Pedro não se comprometeu com seus próprios ideais, mas com a realização do autor da vida, pois disse ele; “tomai conhecimento, vós todos e todo o povo de Israel, de que em nome de Jesus Cristo... é que este está curado perante vós” (v.10)

C. Além disso, no comprometimento de Pedro com o Mestre, ele não deixou passar a oportunidade de confrontar aqueles homens, afirmando ser eles os assassinos de Cristo “a quem vós o crucificastes” (v.10). Mas apesar do que fizeram com Cristo, na compreensão de Pedro, Cristo é o único autor da salvação, “não há salvação em nenhum outro” (v.12).

D. Aplicação

1. Se Cristo não for a razão maior da nossa caminhada cristã, será questão de tempo a manifestação do nosso enfado. A razão disso, é pelo fato de Ele mesmo ter dito que se o crente não permanecer nele, não poderá dar frutos (Jo.15:4).

2. Também não fomos chamados para ser o centro das atenções, mas Ele. Isso se dar pelo fato de somente Ele poder fazer de nós o que somos. A vida, o nosso tempo de existência, a nossa salvação e demais bênçãos, são resultado da sua graça. Portanto, comprometa-se com Ele, caso queira ser uma de suas testemunhas verdadeiras.

II. Precisamos Imitar o Mestre v.13

A. A ousadia vivida pelos dois discípulos criou a oportunidade de os seus inimigos os identificarem com o seu Mestre. Vejam que os religiosos analisaram os discípulos à luz dos valores dessa vida “sabendo que eram homens iletrados” em busca de algo consistente aos seus olhos, mas não o encontraram, senão, insignificância.

B. Mas uma coisa eles não puderam negar: a semelhança dos discípulos com o seu Mestre, pois como ressalta Lucas: “reconheceram que haviam eles estado com Jesus”. Que coisa extraordinária! Precisamos de mais crentes em nossos dias com esse calibre!
C. Aplicação

1. Imitar a Cristo não tem preço. Isso porque são marcas que ficarão eternamente cravadas em nosso ser.  Não apenas perceberemos, mas outros as verão e perceberão a quem pertencemos.

2. Mas percebam que essas marcas não têm nada a ver com as promovidas pelo marketing evangélico de nossos dias como: riqueza, saúde perfeita, sucesso profissional e sentimental (o que tem lugar em nossa vida) etc., mas as encontradas no Mestre como: desprendimento, serviço, sacrifício, determinação, coragem, ousadia, intrepidez, convicção etc. 

Portanto, imite-O em sua caminha cristã. Viva de tal forma que a sua a vida seja o silêncio dos incomodados.

III. Precisamos Obedecer ao Mestre v.18-21

A. O recado foi curto e grosso. “não falem, nem ensinem”. O desejo deles era: não queremos perder o nosso lugar e prestígio para esse morto. A mensagem do evangelho incomodava aquela gente.

B. Ilustração

Certa feita uma senhora reclamou com o pastor novato de sua igreja quanto ao seu estilo de pregador. Ele tentando se arrumar na nova igreja, se esforçou para mudar. Duas semanas depois, outra senhora incomodada com a mudança, interpelou-o nos termos: quem lhe desafiou a mudar o seu estilo no púlpito? Volte a pregar como você pregava ao chegar aqui.

C. Pedro e João receberam um desafio semelhante, mas corajosos e obedientes que eram, reafirmaram o seu compromisso com o seu chamado (v.19).  Eles se viram incapazes de calar a sua consciência diante das provas da ressurreição: “pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (v.20).

D. Aplicação

1. Queridos, Deus está acima de qualquer pessoa ou instituição. Qualquer obediência que coloca Deus em segundo plano deve ser questionada. Por outro lado, se ao obedecer a Deus, isso lhe custar alguma perda, obedeça-o sem medo.

2. Porém, se você titubear pensando mais no que poderá perder por causa de sua obediência, é hora de você repensar o teu cristianismo, e ver se vale à pena permanecer um de seus adeptos.

3. Em vez disso, as evidências da obra de Cristo em sua vida deve silenciar os incomodados.  Paulo cansado do desprezo, disse aos gálatas “quanto ao mais, ninguém me moleste; porque eu trago no corpo as marcas de Jesus” (Gl.6:17). As marcas da sua obediência ao seu Senhor devem aparecer em toda a tua vida.

Conclusão

Queridos, cada dia que passa, mas perto estamos do nosso resgate final. E quanto mais se aproxima o nosso resgate, mas difícil fica a caminhada com Cristo. Neste desencontro entre a nossa redenção e as dificuldades que encontramos em nossa caminha com Cristo, fiquemos firmes como Pedro e João. Como vimos, Eles:

1. Foram comprometidos com o Mestre;
2. Imitaram o Mestre;
3. Obedeceram ao Mestre.

Ao assumir essa postura, qualquer crente terá as suas dificuldades, mas te garanto que vale à pena. A Bíblia está repleta de garantias, como por exemplo, (1Co.15:58) “sede firmes, inabaláveis e sempre abundante na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão”. Confira (Hb.6:10).

Sejamos testemunhas de Cristo perante o poder das trevas!


Fonte: Marconi Duarte