Saudades no Altar do Senhor

Publicado em 25/11/2022 às 09:49 Por Pr. Ivo Augusto Seitz Visto por 118

Um casal missionário trabalhava em uma pequena cidade na região amazônica, onde eram precários 

os recursos educacionais. Decidiram confiar seus dois filhos a uma família amiga, que morava em 

cidade maior. A experiência não deu certo. Apesar do carinho com que foram acolhidas, as crianças 

não se adaptaram. Choravam continuamente e não queriam se alimentar. Os pais foram chamados e 

precisaram mudar o local de residência da família. Os filhos estavam adoecendo de saudade.


A saudade machuca. Dói. Deprime. Faz adoecer. A esposa, que perdeu o marido recentemente, chora a 

sua ausência. Chora também a consciência de que a morte é irrevogável. A filha que nem mesmo pôde 

se despedir da mãe, pelo protocolo da pandemia, sente falta das boas conversas, dos conselhos, da 

companhia materna. E chora de saudade. O filho, que estava em país distante, só teve contato por 

telefone com a mãe enferma, que faleceu naquele mesmo dia. O pastor perdeu um precioso companheiro 

de trabalho e sente saudade do amigo e irmão. 


O apóstolo Paulo fala de saudade nas cartas aos coríntios e aos filipenses. Muitos desses irmãos 

ele não mais veria. Expressava, nas cartas, sua "afeição entranhável", profunda: "Deus sabe do meu 

amor por vocês e da saudade que tenho de todos, com a mesma compaixão de Cristo Jesus." (Fil. 1.8)


A saudade das crianças da família missionária teve solução relativamente simples. Já as saudades 

geradas pelo falecimento da pessoa amada são mais difíceis de lidar. É importante a opção pela vida, 

pela motivação, pela alegria. Haja o que houver, sabemos que Deus está conosco, enxugando nossas 

lágrimas e dando ânimo para continuar. 


O salmista exclamou: "Minha saúde pode acabar e meu espírito fraquejar, mas Deus continua sendo a 

força de meu coração; ele é minha possessão para sempre." (Salmos 73.26) 


Vamos colocar toda a saudade, que está em nosso coração, no altar do Senhor.