Artigo Estou no deserto!

Estou no deserto!

16/07/2014 às 23h22, por Pr. Marcos Glayson

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“e vos levarei ao deserto dos povos; e ali face a face entrarei em juízo convosco”. (Ezequiel 20.35)

Esse texto tem me incomodado bastante desde o inicio dessa semana. Eu o li quando estava me antecipando a uma tomada de decisão importante e ele tem sido para mim o retrato fiel do momento que tenho passado com Deus e comigo mesmo.

Vejo-me em um deserto pessoal. Encontro-me em um caldeirão de expectativas, em uma agenda apertada, com um grito preso na garganta: “eu dependo de Deus!”. São definições importantes para a vida da igreja, ações gigantescas de renovação e decisões que marcarão a minha vida pessoal. Mas, eu sei que tudo isso tem conferido crescimento à minha vida em todos os sentidos.

Quando se reconhece que se está no deserto é imprescindível ter duas coisas em mente: “Qual é o propósito do deserto?” e “Com quem você estará no deserto?”.

Com essas duas indagações me ponho a escrever esse artigo afirmando em primeiro plano que o deserto na minha vida tem neste tempo me ensinado a depender mais de Deus. O texto acima começa dizendo “e vos levarei ao deserto dos povos”. Essa expressão “deserto dos povos” tem a ver com o exílio babilônico, quando o povo de Deus viu-se espoliado, massacrado em sua auto estima, mas consciente de que todo aquele sofrimento (séc. VI e V a.C) era em resposta ao afastamento do povo de Deus do Deus do povo!

Saber que Deus quer me ensinar a ser mais dependente coloca-me diante dos meus limites. Eu não tenho assim, como arrogantemente vez por outra eu penso o controle de tudo, e essa constatação é fruto de um senso de nulidade absoluta. Não há verdadeiramente nenhum bem na minha natureza humana e só encontro sentido em Deus, aquele que me conhece por inteiro. 

Somos os nossos próprios piores inimigos! Não há verdadeiramente nenhum mérito em nossa tentativa de trabalhar para Deus se antes de tudo, não permitirmos que Deus trabalhe em nossas vidas!

Na segunda indagação quero me delongar um pouco mais: “Com quem estou no deserto”. O texto acima diz: “... e ali face a face entrarei em juízo convosco”. O próprio Deus se coloca diante de nós no deserto ouvindo o nosso clamor por uma intimidade maior e “face a face” nos atende, fazendo justiça em nosso favor.

Há vários gritos de justiça em nosso país! Em relação à truculência policial, desaparecimentos de crianças sem solução, há casos de corruptos e corruptores que ainda postulam cargos políticos, enfim, há muito descaso para com os homens de bem desta moralmente frágil nação. Mas, o nosso maior clamor deve ser: “Senhor, venha estar comigo face a face!”.
Na minha vida pessoal tenho desejado isso de todo o meu coração. Quero manter contato com a face de Deus, desejo estar com Ele, pois entre eu e Ele há entendimento, os meus limites estão estabelecidos, as doenças da minha alma são todas conhecidas e certamente não expõe minhas fragilidades e nem lança meu rosto pecados já confessados! O interessante é que embora, alguns não me perdoem, Deus me perdoa totalmente!!!

Em relação às minhas angústias pela causa do Evangelho e pela saúde da igreja que pastoreio tenho que aprender com Martinho Lutero, uma vez que todas as noites ele fazia a mesma oração: “Senhor, eu carreguei o fardo da Tua Igreja hoje e sei que és o Rei dela. O meu corpo cansado precisa de um pouco de sono, portanto quero rolar a Igreja, que é Tua, e entrega-la em Tua mãos para, como Rei dela, guarda-la esta noite e permita-me descansar um pouco; amanhã pela manhã, volto a retornar o fardo”.

E, permaneço acreditando piamente que o Senhor, aquele que me convidou para estar no deserto, será o mesmo que velará pela minha vida e me dará a vitória em todos os propósitos do meu coração, desde que os mesmos sejam confirmados por Ele para a Sua glória!
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